HISTÓRIA:

Das aldeias do litoral às do interior de Valença, estas rezes são uma mais-valia económica, cultural e gastronómica.

As celebrações que acompanham qualquer acontecimento, seja festa popular ou familiar, casamento ou batizado que se preze, está sempre presente, como cá se diz, uma boa “cabritada”.

 

Mas é na Páscoa que tem mais significado, visto ser considerado um dos símbolos cristãos. Simboliza Cristo, que é o “Cordeiro de Deus”, sacrificado em prol de todo o rebanho.

 No Domingo de Páscoa a sua presença torna-se obrigatória em todas as mesas de Valença. Foram sábias as mãos que souberam guardar e transmitir de geração para geração esta receita ancestral.     

É no forno que, depois de respeitadas as tradições de tempero, a “bucólica rês ” deve ingressar,  ostentando-se numa cama de ramos de loureiro no alguidar, ou numa trempe de ferro. Para que, assando sobre o arroz - e que seja o português carolino - o dito “chibo” vá pingando, até lhe dar bom paladar. Depois de assado deve ir inteirinho para a mesa, à mão será partido e as suas febras distribuídas; o arroz à faca será cortado, porque aqui quem manda é a tradição.

 

APROVEITAR AS SOBRAS:

Quando sobrava de um dia para o outro, havia duas formas de o comer: ou se comia frio, já que levar novamente ao forno estava fora de questão; ou se retiravam as febras dos ossos muito bem tiradas e numa sertã fazia-se uma cebolada da seguinte forma: em azeite colocar cebola às rodelas, puxar em fogo lento; deitar duas colheres de sopa de vinho verde branco e meia de vinagre e deixar ferver alguns minutos; juntamos as febras e mechemos para que a cebola fique misturada com a carne. Servir como entrada; mas também com umas batatas cozidas pode tornar-se em prato principal.

“Andava a pobre cabreira O seu rebanho a guardar Desde que rompia o dia Até a noite fechar. De pequenina nos montes Não tivera outro brincar. Nas canseiras do trabalho Seus dias vira passarem.” Júlio Dinis, em “As Pupilas do Sr. Reitor”

Eça de Queiroz provavelmente diria: É bom, é ótimo, é divino!

 

PREPARAÇÃO:

Depois de limpo, deixar o “elegido” 12 horas em água, limão e um pouco de vinagre. Passado este tempo e depois de bem escorrido, barra-o por dentro e por fora com um molho que previamente preparamos com os ingredientes recomendados. Repetiremos esta operação 3 a 4 vezes.

Antes de ir para o forno, damos-lhe um banho com um pouco do caldo onde vamos fazer o arroz, ao qual juntamos um pouco de açafrão. Nos quartos das pernas traseiras, onde fizemos uma incisão para tirar os beduns, metemos pedaços de toucinho. Fazemos uma cama com ramos de loureiro onde o vamos colocar por cima, no alguidar; salpicar com o resto do molho, de vez em quando, usando um ramo de salsa como pincel; assim, à medida que vai assando, ele solta para o arroz o paladar pretendido. A meio assar, virar ao contrário, para que fique assado por igual.

 

INGREDIENTES DO ARROZ:

·         1 Kg de arroz carolino

·         ½ Galinha

·         100 gr de presunto

·         100 gr de carne de vaca

·         1 Ramo de salsa

·         Sal q.b.

 

PREPARAÇÃO DO ARROZ:

Calda para o arroz: cozer a galinha, o presunto e a carne de vaca. Calcule 2 litros de caldo para um quilo de arroz. Deite no caldo um pouco de açafrão, um ramo de salsa, umas rodelas de cebola; coar e juntar o arroz. Monte tudo no alguidar para ir ao forno, que já deve estar quente.

 

Ingredients

Directions

Anho no forno de Valença