HISTÓRIA:

Crenças e profecias da cultura popular

Antigamente dizia-se que quando alguém estivesse a comer junto de uma criança, o que quer que fosse, se deveria oferecer um pouco para a criança não aguar!...

Quando uma criança definha e não come, dizia-se que estava aguada. A doença tinha origem no facto de a criança ter visto comer coisa apetecida e esta não lhe ter sido oferecida. Para a cura do aguamento, dava-se  à criança um bolo feito com farinha, que deveria ser pedida na freguesia a 7 Marias.

 

Misturam-se os ingredientes e, com os dedos, fazem-se 7 orifícios tantos quantas as Marias que ofertaram a farinha e os 7 dias da semana. Enchem-se os buracos de azeite e vai ao forno. Só deve ser comido pela criança aguada, até se fartar. Manda a tradição que, para que a cura seja eficiente, a criança terá de comer detrás de uma porta, para assim ficar curada do aguamento.

Verdades ou não!...

Existem muitas histórias contadas pelos nossos pais e avós. Mistérios do passado que enchem a nossa memória.

Mau-olhado, inveja, nó de tripa, ar de bicho, enguiços, maldição, infestação, pragas, e uma infinidade de coisas a que a sabedoria popular soube criar defesas com experiências que, de geração em geração, se transmitiram, formando em grande parte aquilo a que chamamos a tradição cultural de um povo.

Profecias e crenças das nossas gentes, delas são exemplo as “benzeduras e expurgações” contra os “malefícios”, os remédios caseiros com que atalhavam as doenças ou incómodos de menos gravidade. E deram origem a observações contidas nos ditados e provérbios populares que nos acompanham até aos nossos dias e que respeitamos. Embora em geral muitas dessas crenças sejam isentas de conhecimento científico ou aprofundamento pelo estudo. De qualquer maneira, são um tipo de sabedorias que não podem ser ignoradas, nem sequer desprezadas e tem a virtude de, não raras vezes serem exatas e ao povo pertencerem, porque o testemunhou repetidamente e fez chegar até nós, em matéria de previsão do tempo.

Que importa!...

Se - que mais não seja - basta fazerem parte das “crenças e profecias das gentes da minha terra e da cultura que levamos dentro”!...

 

Frases de autores populares da minha devoção:

“Se um cão uivar, um mocho piar, ou uma borboleta andar à volta da luz irá morrer alguma pessoa da família ou seu entorno”.

“Se se vestir a roupa do avesso, é sinal que se irá receber uma prenda”.

“Se a mulher grávida cheirar flores, a criança nasce com a marca dessas flores no corpo”.

“ Se a barriga da mulher grávida crescer em bico é rapaz, se cresce alargando as ancas é rapariga”.

“Se no dia de S. Pedro de Rates se coser roupa, essa aparecerá roída pelos ratos”.

“Amigo que não presta e faca que não corta: que se percam, pouco importa”.

“Azeite de cima, mel do fundo e vinho do meio”.

 

PREPARAÇÃO:

Separar as claras das gemas. Bata as claras em castelo, adicionar o açúcar, a canela, o mel e a farinha peneirada para não formar grumos. Juntar as gemas, misturar tudo muito bem até obter uma massa macia.

Deitar a massa numa forma previamente untada com azeite e polvilhada com farinha. Levar ao forno, previamente aquecido a 160ºC, durante 50 minutos. Passados 10 minutos, com os dedos, fazer 7 buracos com a profundidade de 1 cm, deitar um pouco de azeite em cada um dos buracos e deixar seguir o resto da cozedura. 

Finalmente, deformar e servir frio… ao aguado é claro!... Que deverá comer até se fartar!... Mas detrás da porta!...  

 

Ingredients

Directions

Bolo de aguado