HISTÓRIA:

Quando estas rezes já tinham passado a idade indicada, o que não recomendava o tradicional assar no forno, então tínhamos outras formas de confeção.

Para isso, depois do animal abatido, colocava-se dentro de um saco e levava-se para um regueiro onde a água corresse abundante e aí era mergulhado durante tantos dias quantos os anos da idade do animal, para assim lhe retirar todo o cheiro e intenso sabor a bedum, com o cuidado necessário de ficar resguardado de lobos, raposas ou outros depredadores.

Passado esse tempo, recolhia-se e cortava-se em bocados que se esfregavam com laranjas azedas. Eram então estes generosos bocados colocados num grande pote, onde se juntava vinho, água, muitos dentes de alho, cebolas cortadas em quatro, folhas de louro, nêveda, grãos de pimenta, raiz de angelica e sal, tudo de forma que ficasse bem coberto.

Colocava-se o pote ao lume na lareira, quando começava a ferver retirava-se um pouco para trás, para cozer lentamente. Esta forma de cozinhar pode levar horas e muitas vezes até de um dia para o outro. No inverno, a família sentava-se junto da lareira, levantava a tampa ao pote e tirava um pedaço e com a ajuda de um pouco de broa fazia a ceia.

Em comidas mais formais, era servido com batatas cozidas; os velhos tinham por hábito comer o que ficava no fundo do pote, misturado em pratos fundos com broa desfeita e batatas cozidas esmagadas.   

O pote permanecia aí a um canto da lareira, sempre pronto para mantença.

 

“Eu nunca guardei rebanhos,

 Mas é como se os guardasse.

Minha alma é como um pastor,

Conhece o vento e o sol

E anda pela mão das Estações

 A seguir e a olhar.

Toda a paz da Natureza sem gente

Vem sentar-se a meu lado.”

Poemas Escolhidos de Alberto Caeiro, por Fernando Pessoa

 

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Carneiro e cabra velha