HISTÓRIA:

Valença e O CALDO VERDE

Teve a sua origem no Minho, mas foi adotado por todas as províncias do País, escritores e poetas referenciam-no nas suas obras, tendo a receita sido até escrita em verso. Eça de Queiroz, Júlio Dinis, Ramalho Ortigão, são alguns dos escritores cujas obras fazem descrição e comentários ao nosso CALDO VERDE. Camilo Castelo Branco, que era avesso a descrições gastronómicas, não resistiu em descrevê-lo,  pondo-o nos altares. António Correia de Oliveira define-o da seguinte forma: “QUE NÚPSIAS DE SUSTENTO E DE SABOR”. O poeta Reinaldo Ferreira descreve O CALDO VERDE num poema que Amália Rodrigues cantou e imortalizou tornando-se no segundo Hino Nacional: “UMA CASA PORTUGUESA”, “basta pouco, poucochinho p´ra alegrar, uma existencia singela… é só amor, pão e vinho, e um caldo verde, verdinho a fomegar na tijela”. Alfredo Margarido escreveu: “A cozinha preocupava Fernando Pessoa: davam-lhe caldo verde em casa, mas em Durban não havia caldo verde, porque as couves não queriam nada com essa costa inóspita.”

Fernando Pessoa foi devoto consumidor desta simbiose. Caldo de batata e couve-galega cegada bem fina, que seja em abundância, e sal quanto baste, com um subtil aroma a cebola e alho, para ajudar á sustância, com seus olhos de fino azeite desperto á superfície, e sua tora de chouriço, afirmando-se como persigo, tudo na tigela fumegante, com a fatia de broa fazendo-lhe companhia, pronto para mantença, foi em tempos de menos abundância prato principal para os menos abastados. Sempre ali junto ao fogo da lareira, naquela panela de ferro pronto para a partilha. Servir em tigela de barro como manda a tradição.

 

Receita do Caldo Verde em Verso

Coloque, em sal e água,

As batatas já cortados,

As cebolas fatiadas

Tudo a ferver por igual,

Até ficar bem cozido.

Faça um puré bem fluido

E ponha a couve cortada

Miudinha e de bom viço

Na panela destapada,

E acrescente um chouriço.

 

Quando tirar da panela

Ponha azeite com cuidado

Sirva na malga ou tigela

Com um pedaço de broa.

E no fim cante-se o fado

Mesmo à moda de Lisboa.

Autor desconhecido

 

Foi em Março de 2010 que no jornal Valenciano, edição Nº 1283, escrevi este texto onde fazia observação a que em Valença o caldo verde andava esquecido nos cardápios da maior parte dos restaurantes, embora isso se alargasse a todo o Vale do Minho. Apelava para a sua incorporação, até porque existia em varias publicações uma receita de “Caldo Verde de Valença”!... Razão mais que suficiente para que constasse na nossa oferta gastronómico.

Em 2011 foi lançado o concurso “As 7 Maravilhas da Gastronomia Portuguesa”  que surge na sequência da promoção do património histórico e natural de Portugal, através do programa das 7 Maravilhas, com o fim de divulgar e promover o património gastronómico nacional.

Como o concurso estava aberto também a privados, depois de ler o regulamento, achei que tinha condições para concorrer, assim preparei as minhas candidaturas, e no Jornal Valenciano edição de Abril Nº 1308, publiquei que já tinha preparadas 3 receitas “ lampreia afumada recheada”, “arroz de lampreia” e “caldo verde”.

Só que a ADRIMINHO-Associação de Desenvolvimento Rural Integrado do Vale do Minho, convocou-me para uma reunião onde me propôs ceder as minhas candidaturas a essa Associação que compreende os municípios de Melgaço, Monção, Valença, Vila Nova de Cerveira, Paredes de Coura e Caminha. Mas que teria que alterar os textos para que as receitas pudessem ir a concurso de forma transversal. Aceitei!... Afinal estava a contribuir para a divulgação gastronómico do território “Vale do Minho”. Assim, o “Caldo Verde” e o “Arroz de Lampreia” foram levados a concurso pela ADRIMINHO de forma transversal em conjunto com outras receitas propostas pela ADRIMINHO, a representar os municípios que compõem o Vale do Minho num total de 29 candidaturas.

Durante os meses seguintes, de forma individual ou em conjunto com a ADRIMINHO e alguns municípios, empreendemos uma luta pela conquista do título.

Depois de uma primeira triagem, entre 433 receitas de todo País foram selecionadas 70 pré finalistas. Entre elas, o nosso “Arroz de Lampreia” e o nosso “Caldo Verde” ficaram apuradas para a 2ª fase.

Foi a 7 de Maio que o júri selecionou as 21 finalistas!... O “Caldo Verde” constava dessa seleção, foi com grande entusiasmo que recebemos a notícia, estávamos cada vez mais perto da grande final.

Santarém, 10 de setembro de 2012!...

 

GALA da DECLARAÇÃO OFICIAL das 7 MARAVILHAS da GASTRONOMIA PORTUGUESA.

O Caldo Verde subiu ao pódio e foi consagrado uma das 7 MARAVILHAS DA GASTRONOMIA PORTUGUESA!...

 

PREPARAÇÃO:

Deitar a água numa panela com um pouco de azeite, as batatas descascadas e cortadas ao meio, a cebola em cubos e os dentes de alho. Tempera-se com sal e deixa-se cozer. Logo que esteja cozido, tira-se do caldo e esmagar tudo muito bem com um garfo, ou passar pelo passe-vite, levar ao lume para apurar. Corta-se a couve-galega o mais fina possível, lava-se para que o caldo não fique esverdeado e deita-se na panela uns quinze minutos antes de servir; deixar ferver com a panela destapada e cinco minutos antes juntar o chouriço praticamente cozido, para que dê um suave sabor sem marcar muito. Servir o caldo verde em tigelas de barro, com uma rodela de chouriço, umas gotas de fino azeite e um naco de broa.  

 

Ingredients

Directions

O Caldo Verde